23 de fev de 2012

Desafio Literário : Cassandra - Christa Wolf


Uma viagem à Grécia e a leitura de Oréstia de Ésquilo fazem emergir Cassandra do passado mítico. Frente à ameaça de uma guerra nuclear e à catástrofe ecológica destas últimas décadas, Chista Wolf descobre em Cassandra a voz trágica que denuncia a guerra, a tirania e o patriarcado como as marcas de uma mesma história ocidental. A Cassandra de Christa Wolf não deve, portanto, o dom divinatório a poderes divinos, mas à sua história pessoal e ao seu amor à verdade, que lhe permitem distanciar-se do palácio, ao qual pertence. A lucidez assim conquistada deverá enfrentar-se com a cegueira histórica de seus conterrâneos, incapazes de reconhecer em si mesmos os autores da própria desgraça. A maldição que Apolo faz pesar sobre Cassandra - de que ninguém creria em suas profecias - é, assim, reinterpretada por Christa Wolf numa concepção moderna da tragédia, onde o destino não é o desígnio aleatório das Parcas, mas o resultado das opções humanas acumuladas na nossa história. A estória de Tróia é interessante por si só, aquela onde mil návios se lançaram ao mar por causa do rosto de uma mulher. Sempre tentei imaginar essa estória na versão feminina, como Marion Zimmer Bradley fez com As brumas de Avalon, sabe, para sair um pouco daquele “padrão” e ouvir a história de quem sofreu calado. Sou admiradora de Tróia, não tenho ergonha nenhuma em dizer que meu interesse surgiu quando eu tinha meus quase dezessete anos ao ver o filme tróia, com Brad Pitt como Aquiles (alias, sempre que leio sobre Aquiles me lembro do Brad). Por isso, quando vi o nome Cassandra, de Christa Wolf para ler esse mês de fevereiro, não pensei duas vezes.
Confesso que no inicio da leitura me senti um pouco entediada e com uma pontada enorme de arrependimento, pois não estava acostumada com a forma que a autora escrevia, e de incio acabei me sentindo um pouco perdida. Depois que peguei o ritmo, a estória fluiu muito bem.
O livro é dividido em quatro conferencias, quatro das quais eu só me dei o trabalho de ler uma, justamente aquela que se entitula Cassandra. As demais conferencias são bastante interessantes, no entanto, dizem respeito a construção da personagem e etc e tal, que na situação do desafio, não me interessavam.
Todo enredo gira ao redor dos pensamentos de Cassandra, antes de ser morta por Climnestra, esposa de Agamenon e Rainha de Micenas. Nesses momentos finais, Cassandra reflete sobre sua vida, sobre seu dom, sua maldição e seu amor por Eneias. Acredito que para se ler esse livro, é aconselhavel que se tenha uma boa noção da história de Tróia, e quando digo uma boa noção, é boa noção mesma, tenho consciencia de que entendi alguns trechos apenas por que já conhecia a história, e não apenas superficialmente, mas realmente conhecia a história. Não basta saber que troia foi invadida pelos gregos, é bom entender os fatos que antecedem a Iliada e os fatos que a precedem, isso para se ter uma boa noção do que se esta lendo.
Na minha humilde opinião, Christa Wolf escreve magistralmente, faz com que penetremos no mais profundo do amago de Cassandra (por mais redudante que essa expressão possa parecer), nós leva a ver toda essa história por outro ponto de vista.
Outro detalhe que me chamou a atenção, foi a teoria seguida pela autora, de que Helena ficou no Egito e o que foi levado para Tróia havia sido um duplo da musa. Confesso que já conhecia essa teoria, mas nunca havia visto sendo usada e para mim é a menos plausivel possivel, mas na conferencia de Christa Wolf, ela ganhou novas cores para mim.
Eu poderia passar o dia inteiro aqui discursando sobre o assunto, no entanto, o que deixo aqui são singelas palavras sobre a minha humilde opinião sobre um texto superfial e profundo sobre a mitica personagem Cassandra.
Nota???? 5!

Um comentário:

Michelle disse...

Diferente sua escolha. Gosto da história de Troia, mas não sou profundamente conhecedora. Cassandra é uma personagem muito interessante e acho que valeria a pena saber mais sobre ela.
Que venha o próximo livro!
bjo